Excesso de generosidade pode se transformar em problema alimentar

Atualizado: há 5 dias

Sabe quando damos muito - tudo o que temos e mais um pouco – e ficamos sempre frustrada porque não somos valorizadas ou não vemos retribuição?



Escuto essa fala com certa frequência no consultório, ainda que ela esteja escondida, vinda através de símbolos. Escondida mesmo, porque, às vezes, é muito difícil reconhecer que a necessidade de ser valorizada nos pequenos detalhes existe. Não entrarei na questão per se, mas vamos falar sobre as consequências disso na alimentação?


Comer emocional?

Calma, não estou afirmando que você não deve ser generosa. Apenas imagine-se oferecendo muito, muitas vezes tirando de você. Consegue entender que fica um vazio? Um buraco que demanda preenchimento?


E qual é uma das mais potentes representações de afeto? Se você pensou na comida: bingo! É isso aí.


Se você já me acompanha há algum tempo, sabe que abordo muito a questão do comer emocional, que é o comer para atender demandas que não são a fome física.

Esse buraco de querer e não receber precisa ser preenchido. A comida é gostosa, acessível e pode ser usada como um belo amortecedor de dor.


Sei que não é um lugar muito fácil de entrar: nesses buraquinhos obscuros, nessa

demanda, nessa carência. Até porque ela pode estar muito bem disfarçada por trás de uma mulher toda poderosa (aparentemente).


Talvez o que você mais deseje seja um tempo pra você mesma. Um dia fútil. Talvez você deseje mais contato físico, afinal essa pandemia nos tirou isso.


Mesmo no meio desse caos, será que não dá pra arrumar esse tempo? Quem sabe fazer disso sua prioridade para os próximos dias?


Como fazer?

Já sei que muitas coisas vieram à sua mente ao ler esse texto, como: tenho filhos; sou dona de casa; trabalho fora; faço home office.


Mas pense direitinho sobre isso. É mesmo impossível tirar um tempo pra você?


Pense na famosa relação do custo-benefício.

Escolha um momento para chamar de seu, faça essa nutrição carinhosa em forma de autocuidado: pode fazer uma meditação, uma leitura, um banho longo, uma automassagem - qualquer coisa que te dê prazer.


Isso frequentemente é tarefa nos acompanhamentos nutricionais terapêuticos que consuzo e ajustamos aos conhecimentos da ayurveda para equilibrar ainda mais.


Tente essa experiência e depois compartilha os resultados comigo.



Soraya Costa

Nutricionista Comportamental e Psicanalista

CRN 20926