Como funciona a mente de alguém com Transtorno de Compulsão Alimentar




O TCA é relatado pelos pacientes como um vício, mas não existe essa dependência física, o que ocorre é uma dependência emocional, comportamental.


Parece vício, mas não é


Assim como as pessoas dependentes de jogos, internet, compras, furtos, o "vício" alimentar é a incapacidade de romper o comportamento. O que ocorre é que os circuitos de prazer e recompensa são ativados de modo semelhante no TCA e em diversos o dependências químicas e comportamentais.

Ou seja, não é uma escolha se alimentar daquela maneira.


Tentativas de dieta


A pessoa com TCA tem histórico de tentativas frustradas de dietas e inúmeras tentativas de perder peso e controlar os episódios de compulsão alimentar.

Além das tentativas de dieta, a dicotomia - separar alimentos em "proibidos e permitidos" também contribuem para os episódios.

Isso porque existe um ciclo de restrição - culpa-compulsão muito presente na pessoa que tem esses pensamentos dicotômicos.


Ela evita ao máximo comer determinado alimento que gosta muito. Mas em algum momento ela cede (porque o proibido é inclusive mais gostoso) e nessas o exagero aparece, por inúmeros motivos. As vezes tem uma sensação de "despedida do alimento".

As vezes tem uma sensação enorme de fracasso, e inclusive o alimento pode entrar como uma punição.


Sentimentos e sensações


O paciente pode se sentir distante, dissociado, alheio à situação durante os episódios compulsivos, muitas vezes como se fosse um expectador , enquanto ingere enormes quantidades de alimento. os pacientes podem alternar alimentos doces e salgados, comer alimentos que não gostam, alimentos crus, congelados e até buscar alimentos no lixo. Durante os episódios, o paciente pode ser invadido por sentimentos negativos, como culpa, raiva, vergonha e medo. Alguns pacientes também relatam um apagão duante os eventos. Após a crise, o paciente vive toda a frustração de não conseguir controlar seu comportamento. Essa sensação piora a insegurança, autoestima e a capacidade de superação.


Após algum tempo, a comida passa a ser o refugio e a maldição do paciente com TCA. Ele perde o repertório de atividades e os recursos que tem para enfrentar as adversidades. Ao comemorar algo bom, come. Ao se consolar, come. Tedio, come. A pessoa acaba se isolando socialmente.


Se você está passando por isso ou conhece alguém que passe, busque ajuda.


Não existem "dicas" para o controle das compulsões, mas sim um acompanhamento com profissionais capacitados, muito acolhimento, empatia, reeducação nutricional sem dietas restritivas.