Mente e emagrecimento: quais pensamentos devemos evitar

Atualizado: 20 de jan.


Você já deve ter ouvido falar que a mente influencia no processo de emagrecimento, sendo a mentalidade mais pertinente do que a própria dieta, não é mesmo?


Ouvimos coisas como "mente magra" , "mente gorda" e entendemos que ter uma "mente gorda" nos prejudicaria e uma "mente magra" nos ajudaria a emagrecer






Mas o que seria ter uma "mente gorda", afinal? Seria ter pensamentos constantes sobre comida? Sobre doces, fast foods?

Esse é o dito popular!


Mas estou aqui para te dizer que é o exato oposto: que ter pensamentos constantes sobre dieta pode atrapalhar seu processo de emagrecimento, piorar sua relação com a comida e com você mesma e provavelmente vai te fazer viver o famoso efeito sanfona.


Eu estou falando da mentalidade de dieta - no dito popular ela promove o emagrecimento, mas na prática não.

Isso porque quando fazemos dietas restritivas colocamos o foco em alimentos proibidos, no controle sobre as vontades e isso está mais do que comprovado que aumenta a fissura pelos alimentos proibidos (nem que seja a longo prazo, com o efeito rebote). A mentalidade de dieta tira a autonomia alimentar da pessoa e a faz ficar presa em regras alimentares rígidas, que podem inclusive desencadear um episódio de compulsão alimentar e até mesmo um transtorno alimentar.


Para você entender melhor sobre o que estou falando, deixarei um questionário que foi retirado do livro "Em paz com a comida" de Nathalia Petry e Lydiane Bragunci.

Parte 1

Sim

Não

Evito propositadamente comer alguns alimentos, como alimentos fonte de gordura, carboidrato ou calorias

Mesmo que eu tenha desejos por algum destes alimentos, eu tento evitá-los

Tenho medo de ter doces (ou outro alimento) em casa, pois sinto que não consigo me controlar perto da comida

Fico ansiosa(o) quando vou a eventos como aniversários ou casamentos, em que há comida em abundância

Eu sigo regras alimentares que ditam o que, quando e como comer

Eu faço minhas escolhas alimentares conforme o que eu acho mais "saudável", não considerando o que eu realmente tenho vontade

Eu me sinto culpada se eu como algo que considero "não saudável" ou que não estava planejado

Eu tenho sentimentos como culpa, medo ou vergonha ao comer

​Parte 2

Eu como quando me sinto emotiva(a) (ansieade, depressão), mesmo que eu não esteja fisicamente com fome

Eu como quando estou entediada, mesmo quando não estou fisicamente com fome

Eu não consigo parar de comer, mesmo quando já me sinto saciada

Eu como quando me sinto sozinha, mesmo que eu não esteja com fome

Eu uso a comida para me ajudar a lidar com minhas emoções negativas

Eu como quando estou estressada, mesmo que não esteja com fome

Parte 3

Tenho dificuldade em identificar minha saciedade

Tenho dificuldade em identificar minha fome

Eu paro de comer somente quando o prato fica limpo

Como porque está na hora de comer

Tenho dificuldade em confiar no meu corpo para me dizer o quanto comer e preciso seguir regras externas



Esse questionário te direciona ao entendimento da mentalidade de dieta.

Minha sugestão é que você trabalhe essas questões com um profissional capacitado em comportamento alimentar.


O trabalho com foco na nutrição comportamental


Você deve ter percebido que muitas dessas afirmaçãos são consideradas corretas, como:


  • Como porque está na hora de comer

  • Como a cada 3 horas

  • Sigo regras

  • Sinto culpa por comer algo fora do planejado


Todas as questões da tabela indicam que você está desconectada do corpo, dos sinais internos de fome e de saciedade. Também indicam um comer emocional, quando comemos para apaziguar uma situação mal resolvida. Em suma, que não é você que está no comando (apesar de parecer ser).

O trabalho é voltar a ouvir esses sinais, a sentir o corpo, trabalhar as crenças negativas, os medos, aprofundar as questões emocionais relacionadas ao comer e aos poucos ser capaz de estar no comando novamente. Mas não como uma forma de controle.





Você no comando significa que você tem liberdade e paz para fazer suas escolhas alimentares, e essa boa relação com a comida conduz escolhas mais equilibradas, diminui a fissura por determinados tipos de alimentos (os "proibidos"), promove melhor aceitação e satisfação corporal e melhora a saúde como um todo.


Soraya Costa

Nutricionista Comportamental e Psicanalista

CRN 20926